PRODUÇÃO ACADÊMICA Repositório Acadêmico da Graduação (RAG) TCC Medicina
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Tipo: Trabalho de Conclusão de Curso
Título: Repercussões na saúde mental de indivíduos que submeteram à cirurgia bariátrica - revisão sistemática
Autor(es): Baleeiro, Ana Clara Neri Ávila
Mamede, Helenna Lobo
Primeiro Orientador: Moura, Amarildo Lemos Dias de
metadata.dc.contributor.referee1: Santiago, Rejane de Carvalho
metadata.dc.contributor.referee2: Melo, Ana Paula Meireles de
Resumo: REPERCUSSÕES NA SAÚDE MENTAL DE INDIVÍDUOS QUE SUBMETERAM À CIRURGIA BARIÁTRICA – REVISÃO SISTEMÁTICA Introdução De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade é determinada pelo índice de massa corporal (IMC), sendo classificada como sobrepeso quando ≥ 25 kg/m² e obesidade quando ≥ 30 kg/m². Estima-se que, em 2021, cerca de 2,8 milhões de pessoas morreram em decorrência do sobrepeso e da obesidade (OMS, 2021). No Brasil, essa condição cresceu 72% entre adultos nos últimos 13 anos, enquanto o excesso de peso atinge 55,4% da população (Brasil, 2020). Trata-se de doença crônica e multifatorial, associada a fatores genéticos, comportamentais e ambientais, marcada pelo excesso de gordura corporal (Sohan et al., 2024). Essa condição relaciona-se a diversas comorbidades, como diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, psiquiátricas e osteoarticulares, além de impacto psicossocial, perda de produtividade e comprometimento do bem-estar (Barber et al., 2024). Nesse cenário, o tratamento exige múltiplas estratégias, incluindo mudanças no estilo de vida, farmacoterapia e, em casos graves, cirurgia bariátrica, considerada eficaz no manejo da obesidade avançada (Dijkhorst et al., 2024). Os critérios para sua realização pelo SUS preveem IMC ≥ 40 kg/m², com ou sem comorbidades, após falha terapêutica mínima de 2 anos, ou IMC ≥ 35 kg/m² associado a risco cardiovascular, como diabetes e hipertensão (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, 2023). A cirurgia bariátrica traz repercussões físicas e psicológicas. Estudos indicam melhora da autoestima, imagem corporal e qualidade de vida, com redução de ansiedade e depressão (Sohan et al., 2024). Contudo, podem ocorrer complicações como deficiências nutricionais, infecções, eventos tromboembólicos e risco de reganho de peso, fatores que impactam a saúde mental (Sohan et al., 2024). Liao et al. (2022) relataram, em metanálise, melhora psicossocial, mas também risco aumentado de suicídio e automutilação em longo prazo. Revisões semelhantes confirmam benefícios para ansiedade e depressão, mas apontam maior risco de transtorno por uso de álcool (Law et al., 2023). A OMS (2022) define saúde mental como integração de aspectos físicos, emocionais e psicológicos, essenciais para habilidades sociais e enfrentamento das adversidades. No contexto social, o estigma da obesidade agrava o sofrimento e dificulta o acesso a tratamentos, embora a cirurgia represente alternativa relevante nesse cenário (Colangeli et al., 2024). Objetivos Analisar, por meio de uma revisão sistemática, as repercussões na saúde mental de indivíduos que se submeteram à cirurgia bariátrica. Metodologia Trata-se de uma revisão sistemática da literatura científica, cuja fonte de dados são estudos primários. O método foi escolhido pela necessidade de sintetizar diferentes pesquisas relacionadas ao tema e permitir análise abrangente das repercussões na saúde mental de indivíduos submetidos à cirurgia bariátrica. O Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) foi utilizado como referência metodológica. O problema em estudo é: Quais as repercussões na saúde mental de indivíduos que se submeteram à cirurgia bariátrica? Foram selecionados artigos das bases de dados PubMed (National Library of Medicine, EUA) e da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) utilizados foram: em português, “obesidade”, “cirurgia bariátrica” e “saúde mental”; em inglês, “obesity”, “bariatric surgery” e “mental health”. O operador booleano utilizado foi AND. A busca ocorreu em junho de 2025. Critérios de inclusão: artigos em português, inglês ou espanhol, publicados entre 2021 e 2025, dentro das normas éticas de pesquisa. Critérios de exclusão: artigos sem relação com cirurgia bariátrica e saúde mental, outras revisões, editoriais e opiniões. Resultados Os estudos analisados indicam que pacientes com diagnóstico prévio de alterações na saúde mental apresentaram, após a cirurgia bariátrica, melhora significativa em diferentes desfechos psiquiátricos (Arhi et al., 2021; Fialho et al., 2021; Mela et al., 2023; By-Band-Sleeve Collaborating Group, 2024; Iljin et al., 2024; Si et al., 2025). Observou-se redução do número de consultas relacionadas à depressão, diminuição do abuso de álcool e melhora em condições frequentemente associadas à obesidade, como síndrome dos ovários policísticos e distúrbios do sono (Arhi et al., 2021; Fialho et al., 2021; Alshammari et al., 2022). De forma agrupada, diversos estudos demonstraram benefícios adicionais associados à perda ponderal, padrões alimentares, controle da compulsão alimentar e melhora global da qualidade de vida (Fialho et al., 2021; Alshammari et al., 2022; Díaz-González et al., 2024; ElBarazi, 2024; Iljin et al., 2024). Outros destacaram o papel de fatores biológicos, como a influência da microbiota intestinal modulada por probióticos no eixo cérebro-intestino (Komorniak et al., 2023) e a associação de miRNAs séricos com depressão e ansiedade como possíveis biomarcadores de resposta (Mela et al., 2023). Por outro lado, parte dos estudos reportaram desfechos desfavoráveis, incluindo redução da qualidade de vida, piora do bem-estar psicológico, reganho de peso — sobretudo em pacientes com IMC inicial mais elevado — e aumento de consultas gastrointestinais (Albarrán-Sánchez et al., 2021; Furtado et al., 2023; Alqifari et al., 2024; Konttinen et al., 2024; Mauro et al., 2024; Brotos et al., 2025; Epping et al., 2025). Além disso, a presença de transtornos psicológicos prévios correlacionou-se a maior risco de automutilação, ideação e tentativas de suicídio, bem como menor resposta física e psicológica após a cirurgia (Konttinen et al., 2021; Mabey et al., 2021; Hung et al., 2023). Nota importante: Os resultados aqui apresentados são parciais, visto que nem todos os artigos selecionados foram analisados até o momento. Discussão Os achados apontam que a cirurgia bariátrica pode produzir repercussões positivas e negativas na saúde mental. De um lado, há consenso em torno da melhora da autoestima, da redução da ansiedade e da depressão, bem como do aumento da qualidade de vida. Por outro, estudos relatam agravamento de sintomas, risco de reganho de peso e até elevação da ideação suicida. Essa divergência pode ser explicada por fatores metodológicos (tempo de acompanhamento e tipo de cirurgia), pelo perfil prévio dos pacientes (presença ou não de transtornos psiquiátricos) e pela qualidade do acompanhamento multiprofissional. Assim, os benefícios psicossociais iniciais não excluem a necessidade de suporte psicológico contínuo, que se mostra determinante para evitar os desfechos desfavoráveis. Conclusão A cirurgia bariátrica apresenta benefícios importantes, sobretudo relacionados à melhora de quadros depressivos e ansiosos, evolução positiva dos hábitos alimentares, controle da compulsão alimentar e condições associadas à obesidade. Entretanto, parte dos pacientes apresentou redução da qualidade de vida, complicações em outros sistemas e maior incidência de automutilação e ideação suicida. Reforça-se a importância do acompanhamento multidisciplinar antes e após o procedimento, visando potencializar os efeitos positivos e minimizar os riscos.
Palavras-chave: Saúde mental
Cirurgia bariátrica
CNPq: CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE
Idioma: por
País: Brasil
Editor: Pontifícia Universidade Católica de Goiás
Sigla da Instituição: PUC Goiás
metadata.dc.publisher.department: Escola de Ciências Médicas e da Vida
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
URI: https://repositorio.pucgoias.edu.br/jspui/handle/123456789/10080
Data do documento: 17-Out-2025
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